di Carlo Longo
Reunião em Bruxelas, inicialmente focada na competitividade, é marcada pela escalada no Médio Oriente e pelo debate sobre apoios à energia e financiamento à Ucrânia
O Conselho Europeu, reunido esta quinta e sexta-feira em Bruxelas, acabou por ser dominado pela crise internacional desencadeada pela guerra no Irão, relegando para segundo plano o tema inicialmente central da competitividade europeia. A escalada dos preços do petróleo e do gás natural, agravada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, impôs-se na agenda e levou os líderes europeus a discutir medidas urgentes para mitigar o impacto económico.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, destacou a necessidade de uma resposta coordenada da União Europeia, mostrando-se confiante na aprovação de apoios destinados a aliviar os custos energéticos. Entre as soluções em análise estão o eventual limite temporário ao preço do gás, a redução de impostos nas faturas de energia e a concessão de ajudas estatais a empresas e setores mais afetados.
A crise energética expôs também divergências dentro da União Europeia quanto à leitura do conflito no Médio Oriente. Enquanto Espanha e Itália consideram que os ataques ao Irão podem configurar uma violação do direito internacional, a Alemanha defende uma abordagem mais cautelosa, evitando críticas diretas aos aliados. Já a Comissão Europeia sublinha a necessidade de adaptação a uma nova realidade geopolítica.
Neste contexto, António Costa convidou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para um encontro à margem da cimeira, com o objetivo de discutir o agravamento da situação internacional e o papel da UE na defesa do multilateralismo.
Paralelamente, os líderes europeus voltam a debater o apoio à Ucrânia, num momento em que a Hungria mantém o bloqueio a um empréstimo de 90 mil milhões de euros a Kiev. A discussão surge num cenário de incerteza adicional, após os Estados Unidos terem suspendido temporariamente sanções ao petróleo russo, numa tentativa de conter a subida dos preços dos combustíveis.
Perante este quadro, a Comissão Europeia defende uma resposta que combine medidas imediatas de proteção aos consumidores com uma estratégia de longo prazo centrada na transição energética. O reforço das energias renováveis, da eficiência energética e das infraestruturas elétricas surge como elemento-chave para reduzir a dependência externa e aumentar a autonomia estratégica do bloco.
Além da energia e da Ucrânia, os líderes deverão ainda abordar o reforço da defesa europeia e a necessidade de transformar as discussões recentes sobre competitividade em ações concretas com prazos definidos, num momento considerado decisivo para o futuro económico e político da União.
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